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Logística de Baixa Altitude no Brasil: Requisitos de Acesso, Fluxo de Solicitação e Lista de Operação
Guia completo atualizado para 2026, alinhado às normas da ANAC, DECEA e ANATEL, destinado à operação de drones e eVTOL para transporte de cargas.
I. Requisitos Mínimos para Ingresso no Mercado
1. Requisitos da Empresa (obrigatório para investidores estrangeiros)
- É obrigatório constituir entidade jurídica brasileira (Ltda. ou EIRELI) com CNPJ ativo e representante legal residente no território nacional.
- O ramo de atividade deve incluir: Serviços de transporte aéreo de cargas não tripulado.
- Não há valor mínimo obrigatório de capital social, mas recomenda-se no mínimo R$ 50.000,00 para abertura de conta bancária e tramitação de licenças.
- Manter regularidade fiscal e previdenciária: Inscrição Estadual (IE), INSS e FGTS em dia.
2. Classificação das Aeronaves e Regras por Peso
Classe 3: Até 25 kg (modelos mais utilizados em logística)
- Cadastro simplificado na plataforma SISANT (CRANT)
- Certificado de aeronavegabilidade: CAER (obrigatório para operação comercial)
- Piloto: Licença A2/A3 emitida pela ANAC
Classe 2: 25 kg a 150 kg (aeronaves de carga de porte médio)
- Cadastro formal no SISANT
- CAER + inspeção anual de aeronavegabilidade
- Piloto: Licença profissional da ANAC + exame médico aeronáutico (CMA)
Classe 1: Acima de 150 kg (eVTOL de grande porte)
- Homologação completa conforme norma RBAC 21, mesma regulamentação de aeronaves tripuladas.
3. Requisitos da Equipe
- Piloto remoto: Maior de 18 anos, possuir licença válida da ANAC (A2/A3 ou categoria profissional) e CMA atualizado.
- Responsável pela operação: Obrigatório o Certificado COE (Operador de Aeronave Não Tripulada), conforme norma 2026.
- Equipe de manutenção: Técnicos credenciados pela ANAC ou pelo fabricante original (OEM).
4. Requisitos dos Equipamentos
- Homologação ANATEL: Todos os módulos de controle remoto, transmissão de imagem/dados e comunicação 4G/5G devem ser testados e homologados em laboratório brasileiro. Certificados CE e FCC não são aceitos. É obrigatório afixar o selo da ANATEL no produto.
- Cadastro no SISANT: Todas as aeronaves com peso superior a 250 gramas devem ser cadastradas e possuir número CRANT.
- CAER: Certificado de aeronavegabilidade especial, indispensável para atividade comercial (sem prazo de validade, desde que mantida a manutenção).
- Seguro obrigatório: Seguro de responsabilidade civil contra terceiros (RETA), com cobertura mínima de R$ 5.000.000,00. Para operação em áreas urbanas e aglomerados, recomenda-se cobertura maior.
5. Regras de Espaço Aéreo (DECEA / SARPAS)
- Altura máxima de voo padrão: 120 metros em relação ao solo (AGL). Para logística, recomenda-se operar entre 50 e 80 metros.
- Distâncias de segurança:
- Mínimo 30 metros de distância de pessoas não autorizadas
- Mínimo 5,4 km de aeroportos para voos de baixa altitude; 9 km para voos até 120 metros
- Tipos de voo:
- VLOS (Voo dentro da linha de visada): Análise rápida (1 a 3 dias)
- BVLOS (Voo além da linha de visada): Principal modalidade para logística. Exige avaliação de risco SORA e certificado COE, prazo de análise de 5 a 10 dias. Desde março de 2026, a ANAC concedeu autorização prévia de BVLOS urbano para empresas qualificadas em regiões com densidade populacional até 5.000 habitantes/km².
II. Fluxo Completo de Solicitação (Prazo total: 4 a 6 meses)
Etapa 1: Abertura da Empresa (2 a 4 semanas)
- Elaboração e autenticação do Contrato Social
- Solicitação do CNPJ na Receita Federal
- Inscrição Estadual (IE) na secretaria de fazenda estadual
- Abertura de conta bancária empresarial e cadastro em órgãos previdenciários
- Nomeação do representante legal residente no Brasil
Etapa 2: Homologação de Equipamentos na ANATEL (8 a 14 semanas)
- Contratação de Organismo de Certificação Designado (OCD) credenciado pela ANATEL (ex: Inmetro, TÜV, UL)
- Envio de 3 a 5 amostras para testes laboratoriais (RF, EMC, segurança elétrica e SAR)
- Análise dos relatórios de ensaio e documentação técnica
- Protocolo no sistema MOSAICO da ANATEL
- Emissão do Certificado de Homologação (válido por 2 anos)
- Afixação do selo e número da ANATEL nos equipamentos
Etapa 3: Cadastro e Aeronavegabilidade na ANAC (4 a 6 semanas)
- Acesso à plataforma SISANT com o CNPJ da empresa
- Cadastro da aeronave: dados técnicos, número de série e certificado ANATEL
- Envio de manuais técnicos (em português) e declaração de conformidade do fabricante
- Solicitação do CAER (para operação comercial) ou CAVE (para testes)
- Pagamento de taxas, análise documental e inspeção presencial
- Emissão do número CRANT e do certificado CAER
Etapa 4: Regularização da Equipe (2 a 4 semanas)
- Realização de exames para obtenção de licença de piloto ANAC (A2/A3) e CMA
- Solicitação do certificado COE para o responsável pela operação, acompanhado da avaliação de risco SORA
- Cadastro da equipe de manutenção na ANAC
Etapa 5: Autorização de Voo no SARPAS (solicitação por cada operação)
- Cadastro de conta no sistema SARPAS vinculando CNPJ, CAER e licença de piloto
- Preenchimento do plano de voo: coordenadas GPS, raio de operação, altura, horário, rota e carga transportada
- VLOS: solicitar com antecedência mínima de 48h (1 a 3 dias para aprovação)
- BVLOS: solicitar com antecedência mínima de 72h, anexar avaliação de risco SORA e procedimentos de emergência (5 a 10 dias para aprovação)
- Pagamento de taxas e recebimento do Código de Autorização de Voo
- Execução do voo e armazenamento de registros por no mínimo 5 anos

III. Lista de Documentos e Certificados Obrigatórios
Documentos da Empresa
- CNPJ e Inscrição Estadual (IE)
- Contrato Social autenticado
- Documento do representante legal
- Comprovantes de regularidade fiscal e previdenciária
Documentos dos Equipamentos
- Certificado de Homologação ANATEL + selo afixado
- Comprovante de cadastro SISANT (CRANT)
- CAER (Certificado de Aeronavegabilidade Especial)
- Manuais técnicos e de manutenção em português
- Certificado de fabricação
Documentos da Equipe
- Licença de piloto emitida pela ANAC
- Exame médico aeronáutico (CMA) válido
- Certificado COE (responsável pela operação)
Documentos de Operação
- Apólice de seguro de responsabilidade civil contra terceiros
- Código de Autorização de Voo do SARPAS (por operação)
- Registros de voo e relatórios de manutenção
IV. Lista de Verificação para Operação Diária
Antes do Voo
✅ Verificar condições da bateria, GPS, comunicação e sistema de prevenção de colisão
✅ Consultar áreas proibidas e restrições temporárias no SARPAS
✅ Conferir condições climáticas: velocidade do vento até 10 m/s, sem chuva ou tempestades, visibilidade mínima de 5 km
✅ Conferir carga: não ultrapassar o peso máximo de decolagem e garantir fixação segura da mercadoria
✅ Verificar condição física do piloto (sem efeitos de álcool ou medicamentos)
Durante o Voo
✅ Manter altura máxima de 120 m (até 80 m em áreas urbanas)
✅ Manter distância segura de aglomerações, aeroportos, áreas militares e instalações sensíveis
✅ Gravar imagens durante todo o voo (arquivar por 30 dias)
✅ Em caso de anomalia, acionar retorno imediato ou pouso de emergência e comunicar imediatamente ANAC e DECEA
Após o Voo
✅ Enviar registros de voo para o sistema SARPAS
✅ Realizar inspeção e manutenção da aeronave, arquivar todos os registros
✅ Elaborar relatório mensal de segurança (sujeito a fiscalização da ANAC e DECEA)
Regras Proibidas (risco de multa, apreensão e suspensão de licenças)
❌ Operar sem homologação ANATEL
❌ Realizar atividade comercial sem o CAER
❌ Voar acima da altura permitida, fora da rota ou em áreas proibidas
❌ Operar com piloto sem licença ANAC
❌ Deixar de contratar o seguro de responsabilidade civil
V. Resumo de Prazos e Custos
- Abertura da empresa: 2 a 4 semanas | R$ 15.000,00 a R$ 30.000,00
- Homologação ANATEL por modelo: 8 a 14 semanas | R$ 5.000,00 a R$ 15.000,00
- Cadastro SISANT + emissão do CAER: 4 a 6 semanas | R$ 2.000,00 a R$ 5.000,00
- Qualificação da equipe: 2 a 4 semanas | R$ 3.000,00 a R$ 8.000,00 por profissional
- Taxa por autorização de voo no SARPAS: 1 a 10 dias | R$ 150,00 a R$ 850,00 por solicitação
- Investimento inicial total: 4 a 6 meses | R$ 30.000,00 a R$ 60.000,00
VI. Novas Regras e Vantagens 2026
- Autorização prévia de BVLOS: A ANAC liberou operação contínua de BVLOS em regiões de baixa densidade populacional, dispensando solicitação individual por rota e reduzindo custos operacionais.
- Norma RBAC 100: Substituirá a antiga RBAC-E 94, adotando classificação por nível de risco (Aberto / Específico / Certificado), simplificando processos de conformidade para operadores de logística.