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Situação Atual e Planejamento de Desenvolvimento do Setor Eólico no Brasil
1. Situação Atual (2025–2026)
1.1 Capacidade Instalada e Estrutura
- Capacidade acumulada: 36GW (fim de 2025), representando 16,7% da matriz elétrica nacional, a segunda maior fonte.
- Novas instalações: 4,8GW (2023) → 3GW (2024) → 2GW (2025) → 1,5GW (2026), queda consecutiva (período de ajuste setorial).
- Distribuição regional: Nordeste (Piauí, Rio Grande do Norte, Bahia) concentra 80%; Sudeste (Minas Gerais, São Paulo) em expansão.
- Parques e aerogeradores: 1.161 parques, 12.169 turbinas, capacidade unitária predominante 4,5–6MW.
1.2 Cenário Competitivo (Fabricantes)

- Vestas: 12GW, 33% de participação, líder absoluto.
- Goldwind: +3GW, fábrica local (Camassari), principal empresa chinesa.
- Siemens Gamesa, GE: juntos 8–9GW.
- Nacionais: Casa dos Ventos, Eletrobras, focados em desenvolvimento e O&M.
1.3 Políticas Principais (Ajustes 2025)
- Tarifas de importação: 20% até fim de 2025, 25% a partir de jan/2026, forçando localização (anterior 11,2%).
- “Nova Indústria Brasil”: fabricação de turbinas eólicas como 6 cadeias prioritárias, meta de autossuficiência de 70% até 2030 (atual 35%).
- PDE 2032: eólica + solar fotovoltaica > 50% da matriz, eólica acumulada 51,7GW.
1.4 Economia e Empregos
- Investimento acumulado: +R$ 200 bilhões (US$ 34 bilhões).
- Empregos: 260 mil diretos e indiretos, pilar econômico do Nordeste.
- LCOE: R$ 180–220/MWh, inferior a termelétricas, similar a hidrelétricas.
2. Principais Gargalos e Desafios
- Gargalos de conexão e transmissão: Falta de linhas no Nordeste (taxa de curtailment 15%–20%); redes de distribuição antigas (rejeição elevada em redes fracas).
- Pressão de localização: Tarifa de 25% + 60% de conteúdo local (2030), exigindo fábricas próprias.
- Financiamento e retorno: Custo de capital elevado (12%–18% a.a.); armazenamento com retorno de 8–10 anos.
- Licenciamento ambiental: Aprovação 12–18 meses para eólica terrestre; eólica offshore (lei 2025) ainda complexa.

3. Planejamento de Desenvolvimento (2026–2032)
3.1 Curto Prazo (2026–2027): Recuperação
- Capacidade: retorno a 3,5–4GW/ano, acumulado +40GW (2027).
- Localização: fabricantes estrangeiros instalam fábricas (Goldwind, Vestas, GE), conteúdo local ≥40%.
- Armazenamento: leilão de 2GW BESS; modelo “FV+armazenamento” prioritário.
- Transmissão: linha UHV ±800kV Nordeste→Sudeste, curtailment <10%.
3.2 Médio Prazo (2028–2030): Expansão Acelerada
- Capacidade: 5–6GW/ano, acumulado 48–50GW (2030) >20% da matriz.
- Cadeia produtiva: completa (turbinas + pás + torres + controle), autossuficiência ≥60%.
- Eólica offshore: 20 projetos aprovados (42GW), primeiros 2–3GW em operação (2030).
- Incentivos: PADIS + financiamento BNDES (3%–6%) para manufatura local.
3.3 Longo Prazo (2031–2032): Liderança Consolidada
- Capacidade acumulada: 51,7GW (2032), 4º maior mercado eólico global.
- Eólica offshore: 10–15GW instalados, potencial técnico 697GW, novo motor de crescimento.
- Hidrogênio verde: parques eólicos integrados a projetos de H2V, suportando aço verde e amônia verde (mitigando CBAM).