The low-altitude economy industry

Análise de Casos de Empresas Chinesas Ingressantes no Mercado de Economia de Baixa Altitude Brasileiro

Caso 1: EHang (líder de eVTOL para mobilidade urbana aérea tripulada)

1. Modelo de implantação: parceria leve com distribuidor local

Sem construção própria de fábrica no território nacional, firmou contrato exclusivo com a operadora brasileira Gohobby. A EHang exporta aeronaves completas, sistema de voo autônomo e plataforma de gestão de espaço aéreo UTM; a parceira local fica responsável por homologação na ANAC, construção de vertiportos, prospecção comercial e aprovação de espaço aéreo junto ao DECEA.

Em setembro de 2024 obteve o certificado CAVE de voo experimental pela ANAC, realizou o primeiro voo oficial na cidade de Quadra (São Paulo), inserido no sandbox regulatório de dois anos para UAM com dispensa de aprovação individual por rota para testes.

2. Benefícios de políticas públicas

  1. Regime de sandbox: dispensa de trâmites complexos de licenciamento aéreo para voos piloto de turismo;
  2. Enquadramento no programa MOVER de mobilidade sustentável: redução do IPI na importação das aeronaves; isenção de PIS e COFINS nas obras de vertiportos via regime REIDI;
  3. Convênio de aeronavegabilidade entre China e Brasil reduz o prazo de homologação de modelo.

3. Planejamento comercial

Curto prazo: passeios aéreos turísticos no litoral de São Paulo e Rio de Janeiro; longo prazo: transporte médico emergencial na Amazônia e táxi aéreo urbano.

4. Principais obstáculos

  1. Importação integral encarece custos por alta tributação fora da Zona Franca de Manaus;
  2. O espaço aéreo das capitais é administrado pelo DECEA, retardando aprovação para operação comercial em escala;
  3. Trâmite demorado de licenciamento ambiental pelo IBAMA para implantação de terminais verticais.

5. Lição estratégica

Fabricantes chinesas de eVTOL preferem modelo de exportação + parceiro local para evitar custos elevados de montagem fabril e riscos da legislação trabalhista brasileira rigorosa.

ehang drone

Caso 2: DJI (referência global de drones industriais e agrícolas)

1. Modelo de entrada: rede de distribuidores + adaptação técnica local + participação na elaboração normativa

Conta com rede nacional de revendedores e centro de assistência técnica em São Paulo; reformula sistemas de pulverização para atender adubos e defensivos viscosos usados no agronegócio brasileiro; entrega dados de testes de campo para ANAC e colabora na atualização das regras de drones. Em janeiro/2026 conquistou autorização BVLOS (voo além da linha de visada) para Dock 2 e série Matrice 3D, primeira linha autorizada para operação remota automática no Brasil.

2. Incentivos governamentais

  1. Subvenção governamental de até 30% no valor de compra para agricultores adquirirem drones de pulverização;
  2. Flexibilização do espaço aéreo rural para lavouras extensas de soja e cana-de-açúcar;
  3. Desconto tributário na importação por enquadramento no MOVER.

3. Resultado de mercado

Maior fatia de mercado de drones agrícolas no Brasil, atendendo os estados do Centro-Oeste e Sul; expansão nos segmentos de inspeção de usinas eólicas, linhas de transmissão e vigilância pública.

4. Dificuldade operacional

Diferença de alíquota de ICMS entre os estados eleva custos de circulação interestadual; rígida regulamentação da ANATEL sobre frequências de rádio atrasa homologação de equipamentos.

Caso 3: XAG (Pegasus, drones de aplicação agrícola)

Parceria estratégica com a multinacional de maquinário agrícola CNH Case New Holland, utilizando a rede física de concessionárias do parceiro para distribuição nacional; desenvolvimento de modelos de alta capacidade adaptados às grandes propriedades rurais paulistas e paranaenses, aproveitando subsídios governamentais para penetrar entre pequenos e médios produtores rurais.

Caso 4: SKY TECH (drones industriais multifuncionais)

Em maio/2026 firmou convênio com a Universidade Brasil (SP): a empresa chinesa disponibiliza equipamentos e material didático para cursos; a instituição de ensino cede laboratórios, estrutura física e suporte para certificação ANAC de pilotos, criando centro oficial de capacitação homologado pelo MEC, com expansão nos nichos de combate a incêndio, limpeza urbana e inspeção de infraestrutura. Equipamentos acadêmicos têm isenção de impostos de importação por incentivo ministerial de educação profissional.

Caso 5: GOVY AirCab (GAC Grupo, veículo aéreo de decolagem vertical)

Apresentação oficial na feira automotiva de São Paulo em 2025 com presença de autoridades federais; planejamento de planta de montagem na Zona Franca de Manaus para usufruir incentivos tributários, foco em mobilidade curta distância urbana e transporte turístico.

Síntese geral da entrada de empresas chinesas no Brasil

Três modelos de expansão predominantes

  1. Modelo leve de distribuição (EHang): exportação de tecnologia e produtos, parceiro local assume regulamentação e comercialização, menor risco de investimento;
  2. Aliança com gigantes locais (DJI/XAG): parceria com líderes do agronegócio para acesso rápido a canais e subsídios públicos;
  3. Implantação fabril regionalizada (GAC): instalação na Zona Franca de Manaus para isenção total de impostos de importação e IPI.

Principais incentivos públicos brasileiros para o setor

  • Sandbox regulatório UAM e liberação progressiva de voos BVLOS para drones;
  • Regime REIDI para obras de infraestrutura de vertiportos; incentivos MOVER para aeronaves elétricas zero emissão;
  • Subvenção à compra de drones agrícolas, auxílios FINEP para P&D e crédito com taxa reduzida via BNDES;
  • Benefícios fiscais integrais na Zona Franca de Manaus para montagem industrial.

Riscos recorrentes para investidores estrangeiros

  1. Sistema tributário fragmentado com variação de ICMS entre unidades federativas;
  2. Dupla gestão do espaço aéreo: ANAC (certificação civil) + DECEA (controle de espaço aéreo militar);
  3. Processos lentos de licenciamento ambiental IBAMA e legislação trabalhista restritiva.