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Certificado CAER (Certificado de Aeronavegabilidade Especial) no Brasil: Conceito e Passos de Solicitação

I. O que é o CAER

O CAER (Certificado de Aeronavegabilidade Especial para RPA) é emitido pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil), sendo o único documento oficial que habilita drones, eVTOL e demais aeronaves de baixa altitude para operação comercial no território brasileiro.

  • Abrangência: Válido para operação em VLOS (voo dentro da linha de visada) e BVLOS (voo além da linha de visada).
  • Finalidades permitidas:
    1. Atividades comerciais remuneradas: mapeamento aéreo, inspeção de infraestrutura, logística, transporte de passageiros e cargas.
    2. Operações em áreas urbanas e proximidade de aglomerações humanas (respeitando as regras de segurança).
  • Validade: Sem prazo de vencimento definido, mantém-se válido desde que se cumpram rigorosamente os planos de manutenção e as normas da ANAC.

Diferença entre CAER e CAVE

  • CAVE: Destinado apenas a testes, desenvolvimento, capacitação e demonstrações. Proíbe totalmente operações com fins lucrativos.
  • CAER: Certificado exclusivo para atividade comercial regular, autoriza voos remunerados, transporte de cargas e passageiros.

Analogia prática

  • Autorização de Projeto (homologação de modelo): Equivale à aprovação do modelo de veículo.
  • CAER + Certificado de Matrícula (CM): Equivalem ao licenciamento e ao registro individual de cada aeronave.

II. Pré-requisitos obrigatórios para solicitação

  1. Possuir empresa constituída no Brasil (Sociedade Limitada – Ltda.) com CNPJ ativo e representante legal residente ou com visto permanente no país.
  2. O modelo da aeronave já deve ter obtido a Autorização de Projeto junto à ANAC.
  3. A aeronave individual deve estar devidamente cadastrada na plataforma SISANT da ANAC.
  4. Componentes de comunicação e transmissão possuem homologação da ANATEL, em conformidade com as regras de frequências de rádio.
  5. Os pilotos responsáveis possuem licença válida emitida pela ANAC: categorias A2/A3 para drones e VCA para eVTOL.

III. Lista completa de documentos exigidos (em português)

  1. Formulário oficial de solicitação do CAER (modelo padrão da ANAC).
  2. Documentos da empresa:
    • Comprovante de inscrição no CNPJ.
    • Contrato social da sociedade.
    • Procuração do representante legal.
  3. Documentos de homologação de modelo:
    • Certificado de Autorização de Projeto emitido pela ANAC.
    • Declaração de Conformidade do fabricante da aeronave.
  4. Documentação técnica da aeronave individual:
    • Número de série único do equipamento.
    • Relatório de peso e balanceamento.
    • Manual de manutenção e declaração de aeronavegabilidade.
    • Especificações técnicas dos componentes principais + certificados de homologação da ANATEL.
  5. Documentos de segurança e operação:
    • Relatório de avaliação de riscos de voo.
    • Plano de manutenção periódica e declaração de cumprimento das normas.
    • Comprovante de licença dos pilotos credenciados pela ANAC.
  6. Seguro: Apólice de seguro de responsabilidade civil contra terceiros, contratada em seguradora sediada no Brasil.
  7. Autorização de espaço aéreo: Pré-aprovação de uso do espaço aéreo via sistema SARPAS do DECEA (obrigatória para operação BVLOS).

IV. Passo a passo para solicitação (prazo total: 30 a 45 dias)

Passo 1: Preparação inicial (5 a 7 dias)

  • Formalizar a empresa brasileira e emitir o CNPJ.
  • Definir e cadastrar o representante legal local.
  • Confirmar que o modelo da aeronave possui a Autorização de Projeto da ANAC.
  • Realizar o cadastro da aeronave individual na plataforma SISANT da ANAC.

Passo 2: Adaptação e organização da documentação (7 a 10 dias)

  • Traduzir todos os materiais técnicos para o português e autenticar os documentos quando exigido.
  • Compilar a Autorização de Projeto e a Declaração de Conformidade do fabricante.

Passo 3: Envio da solicitação oficial (1 dia)

  • Encaminhar todo o conjunto de documentos pelo SEI (Sistema Eletrônico de Informações) da ANAC.
  • Selecionar a modalidade de processo: Aeronaves RAB – CAER.

Passo 4: Análise documental preliminar pela ANAC (7 a 10 dias)

  • A equipe técnica da ANAC verifica a integridade e conformidade de todos os arquivos apresentados.
  • Caso haja pendências ou informações faltantes, será emitida notificação para complementação.

Passo 5: Inspeção física da aeronave (10 a 15 dias)

  • Inspetor da ANAC realiza vistoria presencial no equipamento:
    • Confere a compatibilidade do número de série com o registro oficial.
    • Verifica o estado geral da aeronave e dispositivos de segurança (luzes anticolisão, dispositivos de emergência).
    • Analisa a regularidade dos registros de manutenção.
  • Preenchimento do formulário de inspeção F-100-99. Em caso de não conformidade, o solicitante tem até 90 dias para realizar as adequações.

Passo 6: Emissão dos certificados (3 a 5 dias)

  • Após aprovação final, a ANAC emite o CAER e o CM (Certificado de Matrícula) da aeronave.
  • Com os certificados em mãos, é possível dar continuidade à solicitação de licença de voo BVLOS no sistema SARPAS do DECEA.

V. Observações e regras fundamentais

  1. Um certificado por aeronave: Cada número de série da aeronave requer uma solicitação individual de CAER.
  2. Vínculo obrigatório com a Autorização de Projeto: Não é possível emitir o CAER se o modelo ainda não tiver homologação de projeto na ANAC.
  3. Localização de dados: Todos os registros de voo e relatórios de manutenção devem ser armazenados no Brasil, com envio periódico de relatórios para a ANAC.
  4. Fluxo recomendado CAVE → CAER: Realize primeiramente testes e demonstrações com o CAVE, acumule dados de voo, solicite a Autorização de Projeto e, por fim, requira o CAER para iniciar a operação comercial.

VI. Resumo geral

O CAER é o certificado essencial para exercer atividade comercial no setor de baixa altitude brasileiro. Ele autoriza voos VLOS e BVLOS, atividades remuneradas, transporte de cargas e passageiros. Os requisitos principais são: entidade jurídica local, homologação de modelo pela ANAC, documentação técnica em português, certificação da ANATEL, seguro local e aprovação em inspeção presencial.