Packaging Machinery

Últimas Notícias do Setor de Máquinas de Embalagens no Brasil

1. Resultados das Principais Feiras Internacionais (Maio a Junho de 2026)

Interpack 2026 (Düsseldorf, Alemanha – 7 a 13 de maio)

A delegação brasileira, formada pela ABIMAQ e pela ApexBrasil, contou com 5 empresas do ramo de máquinas de embalagens. O volume total de negócios firmados e projetados atingiu US$ 19,2 milhões, um crescimento de 29,5% em comparação com a edição anterior.

  • Negócios fechados durante o evento: US$ 4,7 milhões (alta de 207% em relação ao ciclo passado).
  • Previsão de vendas para os próximos 12 meses: US$ 14,5 milhões.
  • Foram captados 384 contatos comerciais, principalmente de países da América Latina, América do Norte e Europa. A ABIMAQ destacou que os equipamentos brasileiros já possuem competitividade global, com diferenciais em automação, eficiência e adaptação às demandas regionais.

Fispal Tecnologia 2026 (São Paulo – 16 a 19 de junho)

Trata-se da maior feira de embalagens e tecnologia de alimentos da América do Sul, com forte presença de marcas multinacionais como SACMI, KHS e GEA. A SACMI apresentou seus sistemas de moldagem de tampas CCM e linha de pré-formas PET IPS, contando com mais de 90 unidades instaladas em território brasileiro.

2. Tamanho de Mercado e Crescimento (2025–2026)

  • Em 2025, o mercado brasileiro de máquinas de embalagens movimentou cerca de R$ 5 a 6 bilhões (equivalente a US$ 1,5 bilhão), representando mais de 40% do volume total da América do Sul.
  • A taxa de crescimento composto anual entre 2025 e 2030 está estimada em 6,5%, com projeção de faturamento de R$ 8 bilhões até 2030.
  • Os principais motores da demanda são os segmentos de alimentos e bebidas (responsável por 70% do consumo), logística do e-commerce, fármacos e cosméticos.
  • A produção de alimentos embalados no Brasil deve chegar a 43 milhões de toneladas em 2029, impulsionando continuamente a renovação do parque de máquinas.

3. Produção Nacional x Importações

  • Em 2023, no segmento de máquinas para alimentos, fármacos e refrigeração (incluindo embalagens), 70% dos equipamentos comercializados eram de fabricação nacional e 30% importados. Há dez anos, a participação das importações era de 42,5%, o que demonstra o expressivo avanço da capacidade produtiva local.
  • Os equipamentos importados concentram-se principalmente no segmento de alta tecnologia: linhas de alta automação, máquinas de alta velocidade e sistemas de embalagem asséptica. Os modelos de porte intermediário e básico já são amplamente atendidos pela produção nacional.
  • As máquinas chinesas posicionam-se no nicho de linhas automatizadas com excelente custo-benefício e equipamentos padrão de embalagem, competindo com produtos europeus e fabricantes brasileiros no segmento intermediário.

4. Novas Regras e Políticas Regulatórias (2026)

4.1 Maior rigor na fiscalização da NR‑12

  • A taxa de inspeção aduaneira subiu para 45% em 2026. Equipamentos em desacordo com a norma são devolvidos ao exterior ou aplicadas multas que variam de 10% a 30% do valor da mercadoria.
  • Requisitos obrigatórios: toda documentação em português brasileiro, componentes elétricos homologados pelo INMETRO, sistemas de intertravamento de segurança e laudo de avaliação de risco assinado por engenheiro registrado no CREA.

4.2 Benefícios tarifários e tributários

  • Regime Ex‑Tarifário: Garante isenção total de Imposto de Importação e IPI para equipamentos sem similar nacional. Em 2026, o prazo de análise dos processos foi reduzido para cerca de 30 dias.
  • Importação de peças CKD: A alíquota de importação para máquinas acabadas varia de 14% a 22%, enquanto para conjuntos desmontados (CKD) cai para 8%. A montagem local também possibilita reduções no ICMS estadual.
  • Zona Franca de Manaus (ZFM): Isenção total de Imposto de Importação, IPI e ICMS, além de redução de 75% no Imposto de Renda nos primeiros dez anos de operação. O modelo é indicado para empresas com faturamento anual superior a US$ 5 milhões.

4.2 Regulamentação Ambiental (EPR)

A Responsabilidade Estendida do Produtor (EPR) entrou em vigor em todo o território brasileiro em 2026. Os equipamentos de embalagem precisam ser compatíveis com materiais recicláveis e embalagens leves. Os modelos com foco em sustentabilidade possuem ágio de preço de 10% a 15% no mercado.

5. Tendências Tecnológicas do Setor (2026)

  1. Automação e digitalização: Há demanda crescente por acionamentos servo, sistemas de inspeção por visão computacional e rastreabilidade de dados. Fabricantes nacionais investem fortemente no desenvolvimento de soluções inteligentes de custo acessível.
  2. Compactação e flexibilidade: Equipamentos compactos e aptos a trabalhar com diversos formatos e lotes pequenos são prioridade para os setores de alimentos e cosméticos.
  3. Eficiência energética e sustentabilidade: Motores de baixa energia, sistemas de recuperação de calor e economia de água se tornaram itens padrão. A regulamentação EPR também impulsiona os pedidos de máquinas voltadas para embalagens biodegradáveis.
  4. Adaptação local: A compatibilidade com a frequência de 60Hz, interface em português e projetos alinhados à NR‑12 são requisitos básicos para ingressar no mercado.

6. Movimentação de Empresas Estrangeiras (2025–2026)

  • SACMI: Amplificou a capacidade produtiva de sua fábrica em São Paulo, focando em equipamentos para tampas e pré-formas PET para atendimento a toda a América Latina.
  • KHS e GEA: Implantaram centros de montagem e estoque de peças em Minas Gerais, com objetivo de encurtar prazos de entrega e reduzir custos de assistência técnica.
  • Empresas chinesas: Cerca de 3 a 5 marcas chinesas já abriram escritórios de representação e armazéns fiscais em São Paulo, atuando com máquinas verticais de embalagem, rotuladoras e linhas de envase. A maioria adota o modelo de importação CKD e montagem local para otimizar a carga tributária.

7. Oportunidades e Desafios para Empresas Chinesas

Oportunidades

Existe uma lacuna expressiva no segmento de automação intermediária; a produção nacional não consegue atender toda a demanda. As políticas governamentais incentivam a substituição de importações, e os equipamentos chineses se destacam pela excelente relação custo-benefício.

Desafios

Alto rigor na conformidade com a NR‑12, burocracia aduaneira, carga tributária elevada, fragilidade da cadeia de suprimentos local e a necessidade de fortalecer a credibilidade da marca junto aos clientes brasileiros.